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em tons de azul e lima



Sexta-feira, Setembro 23, 2005



Deste mar te vejo
e neste mar te amo
revolta em palavras que não sei
e em ondas que me trespaça.
És a espuma do meu desejo
onde me enrolo e acamo.
A fúria que afaga e abraça,
e onde me encontrei.


postado por: nela cintra 2:09 AM em tons de azul


Segunda-feira, Setembro 05, 2005



"Lembras-te Fátima? Era o que eu sempre te dizia, não somos nada nas mãos do acaso, e não há mais filosofia do que esta: deixar andar, tanto faz, hoje ou amanhã morremos todos, daqui a cem anos que importância tem isto, quem se lembrará de nós? Quem se lembrará de mim, se nem tu já te lembras de mim agora. Tu, a quem tanto amei, não te lembras, e foi há tão pouco, foi ontem, parece, que te levantaste e disseste: «Ficamos amigos como dantes»... E dizias: como dantes e era já noutro que pensavas, olhavas-me e nos teus olhos ria-se a traição, o prazer da liberdade, um desafio alegre, uma alegria provocante e desapiedada, ias a meu lado pela última vez e eu era já um estranho para ti, um fantasma a quem se concede, por caridade, uns momentos mais de companhia, algumas palavras vagas distraídas, um pouco de estima, talvez. Reparei: o teu corpo, oh corpo do meu prazer! oh carne virgem sangrando debaixo de mim! oh meu repouso e minha febre! o teu corpo outrora tão cativo e tão submisso, ficara de repente cerimonioso e esquivo, cauteloso, afastado, com um pudor forçado no puxares a saia sobre os joelhos, como se tivesse uma grande vergonha do despudor com que se dera antes..."

Luiz Pacheco, "Carta a Fátima", Plurijornal Soc. Editora, Setúbal, 1992

postado por: nela cintra 10:33 AM em tons de azul



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