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em tons de azul e lima



Quinta-feira, Maio 25, 2006



Manoel de Barros - (o falso primitivo)

"Ali me anonimei de árvore.

Me arrastei por beiradas de muros cariados desde Puerto Suarez,
Chiquitos, Oruros e Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia.

Depois em Barranco, Tango Maria (onde conheci o poeta Cesar Vallejo),
Orellana e Mocomonco - no Peru.

Achava que a partir de ser inseto o homem poderia entender melhor a metafísica.

Eu precisava de ficar pregado nas coisas vegetalmente e achar o que não procurava.

Naqueles relentos de pedra e lagartos,
gostava de conversar com idiotas de estrada e maluquinhos de mosca.

Caminhei sobre grotas e lajes de urubus.

Vi outonos mantidos por cigarras.

Vi lamas fascinando borboletas.

E aquelas permanências nos relentos faziam-me alcançar os deslimites do Ser.

Meu verbo adquiriu espessura de gosma.

Fui adotado em lodo.

Já se viam vestígios de mim nos lagartos.

Todas as minhas palavras já estavam consagradas de pedras.

Dobravam-se lírios para os meus tropos.

Penso que essa viagem me socorreu a pássaros.

Não era mais a denúncia das palavras que me importava
mas a parte selvagem delas, os seus refolhos, as suas entraduras."


postado por: nela cintra 10:44 AM em tons de azul



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