Os revezes da fortuna traíram as palavras que julgava certas.
No entanto, na tua falta, a minha vida tem de continuar. Talvez um pouco mais distante das coisas, mas, ainda assim, continuar presente. Com garra. Fazer valorizar todos estes anos em que me ensinaste a dar atenção a outras que julgava fúteis.
Nestas situações, ninguém pode deixar-se cair e arrastar numa onda de raivas contra o que temos como única certeza.
Aqui jazes, mas ficarás para sempre na memória do que me de melhor me aconteceu.
Deixo-te um beijo caloroso e quente na pedra fria que teima em tentar-me morrer contigo.
eduardo
A minha avó escreveu um texto que ainda guardo nos meus caderninhos escondidos.
"Ao contrário da paixão, as palavras de amor fazem doer. Ferem a alma e agridem o coração. Provocam espasmos no nosso próprio ser, na nossa destilada ira, e fazem sangue. Porque amamos e somos reais.
Por isso eu sei que fazem bem.
Aos olhos de outros, por muito que doa e faça sentir, o Amor assim votado não é, nem pode ser, uma jogada perdida e mal paga ou um penalty falhado à boca da regra e dos limites.
Prevalece mais o não ganhar. Impõe-se mais retribuir tudo aquilo que somos, fomos ou gostaríamos de ter sido. Daí, naturalmente, que sintamos saudades das coisas boas. De gotas de orvalho e erva fresca. Da chuva miudinha e areais com muito sol. De gente só, triste, calada por uma vida ingrata depois de tantos anos de sorrisos. Dia de nunca descrever o que sinto ou, por acaso ou por destino, um dia de calar e esconder o que vai no coração.
Viverei para o saber? Sou muito bem capaz de não..."
da Thita. Estejas onde estiveres.
posted by MANUELA CINTRA @
6:54 PM
|
|
Segunda-feira, Setembro 03, 2007  |